Curiosidades da Copa: CBF e Id. Visual

09:53

Como a CBF driblou a FIFA e deixou um marco no marketing esportivo brasileiro.


Em clima de Copa, não poderia deixar de fazer um artigo sobre a entidade máxima do Futebol no Brasil, a CBF.
Em 1979, a CBF tomou o lugar da CBD, na ativa desde 1914, que era a entidade que organizava todas as atividades esportivas do país, função essa hoje do Comitê Olímpico Brasileiro.
Como toda marca poderosa, a CBF também teve seu investimento em identidade visual, a começar pelo seu logo – ou escudo – que já passou por uma série de mudanças ao longo dos anos (incluído a alteração de CBD a CBF)  e as camisas oficiais da seleção Brasileira de Futebol.
Pois vamos começar pelos mantos, que vão ser, literalmente, o pano de fundo para vários enredos envolvendo a CBF.
Em 1930, ano da primeira edição da Copa do Mundo, o Brasil estreou com uma camisa branca com detalhes em azul. Esse padrão cromático foi mantido até 1950, quando o Brasil perdeu, no Maracanã, a final para o Uruguai.
Foi então que a camisa foi alterada para o amarelo e assim ficou desde então, com algumas alterações nas mangas e golas e outros elementos gráficos que vieram a compor os designs de cada edição.
Na edição deste ano, a camisa tem pouco detalhes em verde, dando ainda mais destaque ao amarelo.
Primeiras camisas da seleção.
O amarelo entra em jogo.
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Camisa-do-Brasil-Copa-do-Mundo-20141
Mas vamos  aproveitar este belo histórico das camisas da seleção para reparar no símbolo da CBD / CBF.
Como você já deve ter reparado, em jogos oficiais de seleções não é permitido o uso de patrocinadores (exceto pelo fabricante da camisa), sendo esta uma determinação rígida da FIFA.
Na sua primeira Copa como CBF, a instituição resolveu causar já que em 1982 decidiu mudar completamente o desenho do escudo (este sendo usado há mais de 50 anos) para estampar uma simpática folhinha de café combinada à Taça Jules Rimet .
Acontece que o ramo de café não estava lá por coincidência, já que se tratava de um acordo comercial com o IBC, Instituto Brasileiro do Café, no valor de US$ 3 milhões.
Mesmo o patrocínio tendo sido vetado pela FIFA a manobra de inclusão do raminho conseguiu garantir os interesses do IBC, que apostou em marketing para impulsionar um importante produto na balança de exportações do Brasil.
Tal parceria foi avidamente divulgada nos meios de comunicação. Nos principais jornais brasileiros, lia-se: “Café e futebol sempre se deram bem. Agora estão mais juntos do que nunca”.
José Estevão Cocco, presidente da Associação Brasileira de Marketing Esportivo, lembra do episódio como um marco entre a seleção brasileira e a publicidade.
“Foi nessa época que o marketing esportivo começou a florescer”, diz. “O voleibol, antes do futebol, já tinha conseguido liberar a colocação de marcas nas camisas. Antes disso, o patrocinador podia aparecer de outras formas, mas não no peito dos jogadores.”
Para compor ainda mais este cenário, vale lembrar que o IBC já utilizava Pelé e Garrincha como garotos-propaganda. Na Copa de 1982 na Espanha, com a marca no escudo da seleção, o instituto ainda investiu em outdoors no país sede e em Portugal, distribuiu saquinhos de pó de café para a torcida e serviu cafezinho nos hotéis onde o time se hospedou.
O discurso publicitário também contava com o incentivo de que cada xícara comprada contribuía com dois cruzeiros para a seleção.
Na Copa de 86, sem o investimento da IBC e após a dura derrota na edição anterior do evento, o patrocinador ficou de fora do símbolo da CBF, também por determinação da FIFA.
Em 1994,  a Cruz de Malta, componente original do primeiro escudo da CBD voltou a agraciar as camisas da seleção.
Hoje, vemos que a dimensão dos patrocínios e negócios relacionados a esportes, principalmente ao Futebol e ao Mundial, alcançou novas proporções. Fica o mérito da CBF de ter, com o jeitinho brasileiro, burlado determinações da FIFA e plantado a sementinha – de café?- do marketing esportivo no país.
Fonte:

http://chocoladesign.com/curiosidades-da-copa-cbf-e-id-visual

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